Para quê Bibliotecas? – opinião de Margarida Fróis

Margarida Fróis

Os países desenvolvidos distinguem-se dos outros pela utilização racional e inteligente dos seus recursos.

Os resultados do último PISA vêm criar alguma expectativa sobre a evolução das competências de leitura nos jovens portugueses. Há um sinal muito positivo de mudança, há um inverter da tendência negativa, o que parece indiciar que estamos no bom caminho. No entanto esse caminho é ainda muito longo e passa por procurar as melhores soluções e as melhores estratégias para criar nas crianças, nas famílias, nos jovens e nos adultos os hábitos de leitura que permitam alcançar níveis elevados de literacia.

As bibliotecas têm aqui um papel fundamental já que através delas é possível fazer chegar textos, em diversos suportes, a todos os cidadãos. Estes textos são essenciais para que as crianças desde muito pequenas tenham contacto com a leitura e a possam praticar, chegando através delas às famílias.

O problema das famílias não leitoras é extremamente grave porque não havendo a prática da leitura em casa, tudo se complica. É pois fundamental chegar às famílias. As bibliotecas escolares, os professores bibliotecários e os docentes em geral têm aí um papel fulcral, pois a proximidade com os pais e encarregados de educação permite influenciá-los através de estratégias que conduzam à criação desses hábitos.

Promover a leitura em grande escala deve ser uma prioridade das Bibliotecas Municipais, tendo como objetivo que ninguém, principalmente as crianças, fique para trás. A Biblioteca Municipal deve desenvolver estratégias para proporcionar a todos os Munícipes, crianças, jovens e adultos o acesso aos suportes de leitura. Sendo o empréstimo domiciliário o meio mais eficaz de promoção da leitura devem ser criadas estruturas de empréstimo concelhio, que permitam chegar a todos de forma simples e eficaz.

É desejável que uma larga percentagem de munícipes esteja inscrita nas bibliotecas do concelho e que lhes possa aceder com a maior comodidade para que sejam utilizadores ativos e possam usufruir livremente das coleções que as bibliotecas oferecem.

É imprescindível um bom serviço de referência que responda às questões colocadas pelos utilizadores: como procurar nas estantes ou aceder à informação eletrónica, e que ensine como pesquisar e selecionar a informação, porque este é o papel central das bibliotecas: organizar e disponibilizar os meios de leitura.

Daí a urgência das Redes Concelhias. As redes concelhias permitem rentabilizar recursos: humanos, documentais, informáticos e criar serviços de qualidade. As redes de bibliotecas são a melhor estratégia para atingir os tais níveis de literacia que ambicionamos.

É um desafio difícil que só será concretizado com grande profissionalismo dos bibliotecários e dos técnicos de biblioteca, seja ela pública ou escolar, dos professores dos diferentes ciclos e diferentes disciplinas e das famílias. Só conjugando o esforço e o interesse de todos os intervenientes, será possível, no terreno, ganhar este desafio.

Junho de 2012
Margarida Custódio Fróis

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