Páginas a&b: novo número nas bancas

O número 7 da 2.ª série das Páginas a&b, uma das raras revistas da área da Ciência da Informação em Portugal, acaba de ser editado. Sinal dos tempos, a revista, que nos habituou à qualidade dos artigos que publica, formaliza neste número a opção por critérios de validade científica ao introduzir um conselho científico, que antes não existia, e que ficará responsável pela análise dos textos propostos para publicação.

Quatro artigos de fundo debruçam-se sobre temas diversos: o primeiro leva o leitor de passeio até à Rússia de Catarina, a Grande, e à reconstrução virtual das bibliotecas de Diderot e Voltaire, a partir das quais a czarina construiu a sua biblioteca particular, num texto de Ekaterina V. Gerasimova; em seguida, os Usos e usuários imediatos e mediatos de sistemas de informação de arquivo são abordados pela professora Lúcia Miranda Corrêa, da Universidade Federal do Espírito Santo (Brasil);  Carlos Manuel Faísca, da Biblioteca da Escola Superior de Tecnologia e Gestão do Instituto Politécnico de Portalegre, apresenta os resultados de um estudo sobre O desbaste nas bibliotecas de ensino superior portuguesas; e finalmente, a duas mãos entrelaçadas sobre o Atlântico, Dulce Amélia Neves (Universidade Federal da Paraíba, Brasil) e Fernanda Martins (Universidade do Porto) debruçam-se sobre os Mapas conceituais em pesquisa sobre representação da informação.

Na secção a&b em aberto, Sónia Passos apresenta a experiência da Biblioteca da Escola Superior de Música e Artes do Espectáculo do Porto (ESMAE), com Notas para uma biblioteca musical e, na rubrica Debate & Crítica, Henrique Barreto Nunes faz a recensão do último livro de Daniel Melo sobre A leitura pública na 1.ª República. Como habitualmente, as páginas dedicadas ao prazer da leitura são preenchidas por uma voz literária, neste caso Levi Malho, professor da Faculdade de Letras da Universidade do Porto. O número termina com os Sumários desta 2.ª série, que permitirão localizar os artigos e autores publicados pela revista entre 2008 e 2010.

Começámos esta breve nota com uma referência à raridade das revistas sobre Biblioteconomia, Arquivística, Ciência da Informação em Portugal. Não devemos terminá-la sem realçar e louvar a persistência e o extraordinário esforço da sua directora, Maria Luísa Cabral, que contra ventos e marés teima em continuar a publicar as Páginas. Nascida em 1997, esta revista tem mantido uma periodicidade semestral, tendo sido editados 20 números na 1.ª série e 7 na 2.ª, iniciada em 2008. Conta com a colaboração de alguns dos mais prestigiados nomes da profissão e do campo científico em Portugal, e tem atraído a contribuição de colegas e personalidades de outros países, nomeadamente do Brasil e da América Latina, mas não só, não deixando de abrir as suas páginas aos jovens investigadores.   O seu contributo em matéria de divulgação da Ciência da Informação em Portugal é inegável, pela qualidade e actualidade dos textos e autores que publica.

Manuela Barreto Nunes

 

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