BAD integrou o desfile “Em Defesa da Cultura”

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A BAD associou-se como parte activa, desde o primeiro momento, ao desfile de entidades e de cidadãos que se manifestaram na passada terça-feira por uma outra política para a Cultura em Portugal (ver Comunicado em destaque).
O trajecto do desfile ligou o Largo do Camões e o Cais das Colunas, passando pelo Cais do Sodré e pela Ribeira das Naus. A concentração que estava marcada para as 18h00  chegou ao Cais das Colunas, pelas 19h30. A seguir ao desfile teve lugar um acto público conjunto, no Cais das Colunas, com uma intervenção em nome das organizações subscritoras e a leitura do comunicado conjunto. Igualmente teve lugar uma intervenção artística especialmente preparada para este momento.
Para mais informações sobre a “Cultura em Luta” veja o blogue e a página no Facebook deste movimento.
COMUNICADO CONJUNTO DA INICIATIVA “DIAS DA CULTURA EM LUTA”
“Enfrentamos há décadas uma política de destruição do país, da cultura e das vidas das pessoas, que conduziu a uma situação de prolongada crise da actividade cultural e do tecido social que a dinamiza. Esta crise tem origem numa longa série de opções de sucessivos governos por políticas de desprezo pelo papel vital da cultura no corpo da sociedade e da democracia; de grosseiro sub-financiamento, desestruturação e desqualificação dos serviços e das funções culturais do estado; de aguda mercantilização e privatização de bens e funções públicas; de ataque à dignidade e consistência do trabalho dos profissionais da cultura e das artes; e de incumprimento da Constituição da República Portuguesa, no que toca às responsabilidades do Estado em prover os meios que garantam o acesso dos cidadãos à criação e à fruição da cultura.Esta crise traduz-se numa redução drástica da actividade cultural em geral; na degradação das condições em que esta se realiza; no definhamento das estruturas e forças que suportam a actividade cultural; no bloqueamento acentuado da produção nacional nas redes de difusão, distribuição e apresentação; na séria limitação da liberdade e diversidade culturais; na alienação e destruição de obras e de património; na redução de rendimentos e direitos laborais dos profissionais; na extrema precariedade dos vínculos, na generalização do recurso a recibos verdes, no desemprego e sub-emprego, no encerramento de estruturas e serviços, no abandono, por vezes definitivo, da actividade cultural e na emigração; na amputação das oportunidades de uma geração inteira, um buraco negro no património do futuro.Perante este quadro, e em ano de eleições legislativas, as forças da cultura devem dar um sinal forte e claro, de exigência de outra política para a cultura. Uma política:

  • de cumprimento do direito constitucional à cultura e das obrigações do Estado que ele implica;
  • de criação de condições de participação de todos na prática cultural, e de exercício do direito à criação;
  • de definição de um serviço público de cultura em todo o território nacional;
  • de criação de condições efectivas de difusão, distribuição e apresentação da produção nacional;
  • de defesa do vasto património que está à nossa guarda, de salvaguarda do património ameaçado e de promoção da acessibilidade e divulgação;
  • de defesa do trabalho com direitos na cultura, contra a precariedade e o trabalho não-remunerado;
  • que se norteie pela compreensão do valor sem preço da cultura, recusando a sua mercantilização generalizada;
  • que implemente 1% do PIB para a cultura, valor digno que assegura, em sede de orçamento, condições para a liberdade e a diversidade culturais.

As entidades subscritoras das diversas áreas da actividade cultural, associações representativas, sindicatos, estruturas de produção, nas áreas da criação e produção artística, da conservação e gestão do património histórico e arqueológico, do associativismo cultural, da defesa dos direitos dos trabalhadores da cultura, e outras, comprometem-se com esta afirmação forte em defesa da cultura e dos direitos culturais dos cidadãos portugueses e reclamam uma outra política e um rumo de desenvolvimento e de investimento público na cultura, como garante da sua liberdade, da sua diversidade, da democracia e do bem-estar dos cidadãos.

Integrada no programa dos Dias da Cultura em Luta, a realizar nas principais do país, as entidades promotoras apelam aos cidadão que saiam à rua por outra política para a Cultura.

ORGANIZAÇÕES SUBSCRITORAS (57)

Organizações subscritoras de âmbito nacional e regional (a 7 de Junho de 2015)

Manifesto em defesa da Cultura – MdC
Associação das Colectividades do Concelho Lisboa – ACCL
Associação de Estruturas para a Dança Contemporânea – REDE
Associação Portuguesa de Bibliotecários, Arquivistas e Documentalistas – BAD
Associação Portuguesa de Realizadores – APR
Associação de Professores de Teatro-Educação – APROTED
Confederação Geral dos Trabalhadores Portugueses – CGTP-IN
Confederação Portuguesa das Colectividades de Cultura, Recreio e Desporto – CPCCRD
Federação Nacional de Sindicatos de Trabalhadores em Funções Públicas e Sociais – FNSTFPS
Federação Nacional dos Professores – FENPROF
Federação da Agricultura, Alimentação, Bebidas, Hotelaria e Turismo de Portugal – FESAHT
InterJovem Lisboa
Movimento Democrático de Mulheres – MDM
Sindicato dos Músicos, dos Profissionais do Espectáculo e do Audiovisual – CENA
Sindicato dos Professores da Região Centro – SPRC
Sindicato dos Trabalhadores de Arqueologia – STARQ
Sindicato dos Trabalhadores dos Espectáculos – STE
Sindicato dos Trabalhadores em Funções Públicas e Sociais do Sul e Regiões Autónomas – STFPSSRA
Sindicato dos Trabalhadores da Indústria de Hotelaria, Turismo, Restaurantes e Similares do Centro
União dos Sindicatos de Lisboa – USL/CGTP-IN

Outras organizações subscritoras

A Escola da Noite – Coimbra
Academia Almadense – Almada
Alma Alentejana-Associação para o Desenvolvimento Cooperação e Solidariedade Social – Almada
Amigos do Museu Naval de Almada
Assédio Teatro – Porto
Associação Barreiro – Património, Memória e Futuro
Associação Carta Branca – Lisboa
Associação Cultural e Artística de Coimbra
Associação de Iniciativas Populares para a Infância do Concelho de Almada – AIPICA
Associação Teatro do Zero Reticências – Vila Franca de Xira
Associação Tenda – Lisboa
Associ’Arte – Évora
ASTA – Associação de Teatro e Outras Artes – Covilhã
Ateneu de Coimbra
Casa da Esquina – Coimbra
Comissão de Trabalhadores da CM de Almada
Comissão Sindical do STAL da CM de Almada
Companhia de Dança de Almada
Cooperativa Bonifrates – Coimbra
Fila K Cineclube – Coimbra
GEFAC – Grupo de Etnografia e Folclore da Academia de Coimbra
GTIST – Grupo de Teatro do Instituto Superior Técnico – Lisboa
IMARGEM – Associação de Artistas Plásticos de Almada
Loucomotiva – Grupo de Teatro de Taveiro
Músicos de Coimbra
Ninho de víboras – Almada
O Rumo do Fumo – Lisboa
O Teatrão – Coimbra
Prisma – Coimbra
RUC – Rádio Universidade de Coimbra
Teatro Art’Imagem – Porto
Teatro Cão Solteiro- Lisboa
Teatro Extremo – Almada
Teatro Feiticeiro do Norte – Funchal
TeatrUBI – Grupo de Teatro da Universidade da Beira Interior
Trincheira Teatro
Visões Úteis – Porto

Sobre o Autor

Cláudia Henriques