Participar no Congresso BAD – depoimento de Dália Guerreiro

DaliaGuerreiroCom que frequência tem participado nos Congressos BAD?
Tenho participado nos congressos da BAD desde que enveredei pelas Ciências da Informação e da Documentação: no 10º congresso, em 2010, em Guimarães; depois, no 11.º congresso, em 2012, em Lisboa; e, atualmente, estou inscrita no 12.º congresso BAD, a realizar entre 21 e 23 de outubro, em Évora.

Como descreveria as suas experiências de participação nesses Congressos?
A participação no Congresso é sempre muito positiva: por um lado, temos os benefícios da comunicação interpares, através do contacto direto com colegas de todo o país, com quem habitualmente só comunicamos através das redes sociais; por outro lado, permite-nos ter uma visão global sobre a profissão de bibliotecário em articulação com a arquivística. Partilham-se as experiências e as novas tendências.
Os eventos pré-congresso possuem habitualmente duas vertentes, sendo uma de visita aos serviços técnicos de bibliotecas ou arquivos e outra de workshop, com especialistas na matéria, em que se debatem temas da atualidade relativos à documentação. Os Congressos oferecem-nos a oportunidade de estar disponível, no mesmo espaço e com tempo, para refletir acerca da profissão, das suas dificuldades, mas, também, das suas potencialidades e valências. Além disso, também a programação de eventos sociais e culturais costuma ser muito interessante e enriquecedora.

Costuma apresentar comunicações? Porquê?
Apresentei uma comunicação no 11.º Congresso: Integração, acesso e valor social que se realizou em Lisboa com o título “Bibliotecas Digitais para as Humanidades: novos desafios e oportunidades”, cujo artigo foi publicado nas respetivas atas, constituindo o primeiro estudo publicado em Portugal acerca do papel das bibliotecas e, em particular, das digitais, para as humanidades digitais. Para o atual congresso, estou a preparar uma comunicação intitulada “O livro antigo na era digital”, onde se pretende equacionar alguns dados sobre o livro antigo, tendo em vista a caraterização de modelos para uma eficaz disponibilização em linha. Estes artigos constituem peças da pesquisa no âmbito do Doutoramento, tendo nos Congressos uma oportunidade para apresentar e, de certa forma, validar a investigação em curso e recolher opiniões e comentários sobre o trabalho realizado.

Em seu entender, que benefícios pode ter um profissional por participar no Congresso?
O congresso da BAD é uma festa de encontros e troca de experiências, onde a aprendizagem se faz sem esforço. Temos contacto com inúmeras práticas intentadas, com reflexões teóricas e com projetos em desenvolvimento. O contato interpessoal com os colegas é muito relevante, pois estreitam-se laços e descobrem-se afinidades de grande valia na persecução dos objetivos da profissão.

Lembra-se de alguma história ou episódio relevante da sua participação nesses congressos?
Não se trata de nenhum episódio relevante, mas no último congresso da BAD na Fundação Calouste Gulbenkian, enquanto, com alguma “tensão”, tentava encaixar um texto de 9 páginas e os 30 diapositivos numa apresentação de 20 minutos, reparei que lá fora, no jardim, estava um grupo de pessoas em plena harmonia com a natureza a meditar e fazer os movimentos lentos do tai chi. Que contraste! Mas, como toda a audiência também se virou para observar a cena durante uns instantes, foi num ambiente de grande calma e serenidade que acabei a minha apresentação… a tempo!

Dália Guerreiro
Doutoranda em Ciências da Informação e da Documentação pela Universidade de Évora; Mestre em Estudos de Informação e Bibliotecas Digitais, pelo ISCTE-IUL; Pós-graduada em Ciências da Informação e da Documentação, variante Bibliotecas, pelo ISLA – Universidade Europeia; Licenciada em Física, pela Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa.
Membro integrado do Centro Interdisciplinar de História, Cultura e Sociedades da Universidade de Évora/Fundação para a Ciência e Tecnologia, como investigadora no grupo Literacias e património textual (CIDEHUS-UE/FCT). Bolseira da Fundação para a Ciência e Tecnologia SFRH /BD/82229/2011. Membro fundador da AHDig (Associação das Humanidades Digitais).
Integrou a equipa que iniciou e desenvolveu o projeto da biblioteca digital na Biblioteca Nacional e, na DigiCult-Produções Digitais, de que é sócia, tem realizado a metacodificação e edição digital para as bibliotecas digitais da Universidade de Lisboa e da Universidade de Coimbra, entre outras.
Integra o EDHILP-Edições Digitais para a História da Língua Portuguesa (sécs. XVI-XIX). Coopera nos eventos “A Day in life of digital Humanities”. Editora do blogue Bibliotecas e humanidades digitais: as bibliotecas digitais e a relação que estabelecem com as humanidades.

Sobre o Autor

José António Calixto