De 1985 a 2015 muito mudou? Vontades e razões para participar nos Congressos BAD.

É já amanhã (21 de outubro) que começamos o 12º Congresso Nacional BAD! Os Congressos são de facto um marco na vida dos profissionais BAD, para muitas instituições também e muito para a Associação Profissional que os promove. O #12BAD é o primeiro a sul do Tejo, e não há dúvida que foi uma aposta ganha, depois de em 2012 se ter optado por jogar seguro em época de crise, realizando o congresso em Lisboa, desta vez arriscou-se rumo a Évora numa aventura que começou em 1985 no Porto com o 1º Congresso BAD – “A informação em tempo de mudança”!

De 1985 a 2015 muito mudou, mas manteve-se viva a vontade de juntar os profissionais, debater, partilhar, influenciar, juntar vozes para procurar afirmar o presente e o futuro das profissões BAD, das Bibliotecas e dos Arquivos.

Estas vontades estão bem vivas e vão juntar quase 450 participantes a partir de amanhã em Évora para Ligar, Transformar e Criar Valor. Com tantas e tantas limitações é extraordinário como se mobilizaram estes quase quatrocentos e cinquenta profissionais, estudantes e investigadores para refletirem sobre as transformações permanentes da profissão e das instituições, mas também para darem a conhecer projetos e práticas.

pedro_principe_ptPorque este é o 12º, propus-me refletir sobre os congressos BAD, apontando 6 razões por ter participado já em quatro congressos e outras 6 razões para participar no próximo, que arrisquei estar ligado à sua organização – uma dúzia de razões no 12º Congresso BAD :).

1ª) Não tenho qualquer dúvida que os Congressos provocam um “Olhar mais Atento” ao que está a mudar, aos sinais dos tempos, e isso é bom – parar para refletir em contexto profissional é uma dádiva que não devemos desperdiçar! Ter oportunidade de o fazer com outros é muito bom.

2ª) Os Congresso são revigorantes! Vemos, ouvimos e lemos estímulos de outros que nos fazem acreditar que estamos no caminho certo, reforçamos competências técnicas, ou simplesmente redefinimos rumos profissionais.

3ª) Mas os congressos só são significativos por causa das Pessoas – por reencontrarmos colegas, por conhecermos novos colegas, por nos revermos em projetos e iniciativas de outros, ou também por pensarmos diferente de outros. Os congressos são Encontro!

4ª) O investimento que se faz em participar nos congressos torna a nossa presença exigente – exigimos qualidade, exigimos novidade, exigimos uns dos outros, e provocamos competição que muito precisamos para melhorar as nossas instituições.

5ª) Mas os congressos são geradores de parcerias ou de aprofundamento de redes, tão relevantes hoje para a afirmação dos profissionais e instituições, partilhando recursos, gerando desenvolvimentos técnicos e criando estruturas partilhadas – cooperando!

6ª) Depois, vem a importância de nos expormos, de dar a conhecer o que temos feito ou estudado, de partilhar práticas e projetos com outros, e deixar que os pares analisem e avaliem o nosso trabalho. Tenho procurado arriscar comunicar o que vou fazendo e pensando, e os Congressos têm sido um excelente espaço para esse risco.

Arrisco agora um olhar mais concreto sobre o próximo Congresso – o desta semana (de outubro de 2015):

12bad

1ª) Vai valer a pena porque foram submetidas mais de 200 propostas, das quais 180 foram revistas por pares, num processo que tive oportunidade (e a felicidade) de coordenar, feito com rigor e seriedade e do qual resultaram trabalhos com qualidade e que vamos poder apreciar no congresso – muitos outros com qualidade não poderão ser apresentados neste congresso, mas acredito que o possam ser noutros espaços.

2ª) A introdução de uma nova modalidade de apresentação de trabalhos – as apresentações 24×7 – foi uma aposta claramente bem-sucedida e que veio ocupar um espaço vazio ou dúbio dedicado à apresentação de boas-praticas e projetos. O número de propostas aceites excedeu o inicialmente previsto, e resultou num conjunto que se apresenta com uma variedade interessante e só espero que os oradores tenham a capacidade de usar os 7 minutos com qualidade.

3ª) Os grupos de trabalho da BAD estão vivos e dinâmicos, e trazem um importante contributo para o Congresso. Desejo que as reuniões abertas a realizar no final da tarde de dia 22 sejam um sucesso, quer para a dinâmica interna do grupo (muitos deles carentes de reuniões presenciais), quer para dar a conhecer a outros a atividade do grupo

4ª) O número significativo de instituições que se associaram ao 12º Congresso BAD, apoiando a sua realização, é surpreendente. Revela que a BAD está forte, que acreditam nesta estrutura organizativa, que confiam nos responsáveis. Alguns destes apoios resultaram na presença no congresso de especialistas de outros países que muito agradecemos e que vêm enriquecer grandemente o nosso evento.

5ª) A juntar a estes importantes apoios são de realçar os muitos contributos que recebemos de pessoas das instituições locais que sempre de forma dedicada e com gosto procuraram ajudar. O secretariado da BAD merece também uma palavra de elogio pelo empenho demonstrado, fazendo antever uma boa organização em Évora, só possível, antes de mais, com a força e garra da Maria José Moura que vê agora o congresso ser realizado na sua terra Natal!

6ª) Espero que todos aproveitem ao máximo os próximos três dias de congresso… não só com uma participação ativa e com pontualidade nas sessões de trabalho, mas também nas conversas em almoços ou intervalos para café, no jantar convívio, na cantoria com o João Afonso!

Bons Congressos BAD!


A cronologia dos Congressos BAD:

  • “A informação em tempo de mudança”: 1º CONGRESSO NACIONAL – 1985 – Porto
  • “A integração Europeia: Um desafio à Informação”: 2º CONGRESSO NACIONAL – 1987 – Coimbra
  • “A Gestão da Informação”: 3º CONGRESSO NACIONAL – 1990 – Lisboa
  • “Informação, Ciência, Cultura – Bibliotecas e Arquivos para o ano 2000”: 4º CONGRESSO NACIONAL – 1992 – Braga
  • “Multiculturalismo”: 5º CONGRESSO NACIONAL – 1994 – Lisboa
  • “Bibliotecas e Arquivos na sociedade de Informação”: 6º CONGRESSO NACIONAL – 1998 – Aveiro
  • “Informação – o desafio do futuro”: 7º CONGRESSO NACIONAL – 2001 – Porto
  • “Nas encruzilhadas da Informação e da Cultura: (Re)Inventar a Profissão”: 8º CONGRESSO NACIONAL – 2004 – Estoril
  • “Bibliotecas e Arquivos – Informação para a Cidadania, o Desenvolvimento e a Inovação”: 9º CONGRESSO NACIONAL – 2007 – Ponta Delgada
  • “Politicas de Informação na Sociedade em Rede”: 10º CONGRESSO NACIONAL – 2010 – Guimarães
  • “Integração, Acesso e Valor Social”: 1º Congresso Nacional – 2012 – Lisboa
  • Transformar. Criar Valor: 12º Congresso Nacional – 2015 – Évora

Sobre o Autor

Pedro Príncipe: Especialista de Informação e Gestor de projetos Open Science. Bibliotecário. Atualmente Chefe de Divisão nos Serviços de Documentação da Universidade do Minho. Formador na área TIC. Coordenador do Grupo de Trabalho das Bibliotecas de Ensino Superior da BAD.