Seminário Gestão e Curadoria de Informação em debate: pensar práticas e desafios

Realizou-se ontem na Faculdade de Ciências Sociais e Humana da Universidade Nova de Lisboa, o Seminário Gestão e Curadoria de Informação em debate: pensar práticas e desafios, onde foram discutidas várias questões relevantes para o funcionamento do sector da Informação Documentação, nomeadamente as razões que explicam a necessidade de surgimento de novos perfis profissionais associados às tendências de um mercado laboral aberto, caracterizado pela importância da gestão de competências e da gestão do talento para a empregabilidade de cada profissional. Centrando-se no caso da União Europeia, o debate incidiu sobre a atual estratégia de desenvolver competências e empregos digitais e as suas implicações na Ciência Aberta, na Ciência Cidadã e na Responsabilidade Social Cientifica, antevendo uma maior intervenção dos cidadãos no desenvolvimento da competência da literacia da informação e dos dados e da forma como gerem a segurança da informação.

O papel da formação académica, nomeadamente ao longo da vida e enquanto pilar na luta contra a obsolescência profissional em carreiras cada vez mais longas, ficou realçado ao analisar-se o caso do perfil interdisciplinar do Gestor e Curador de Informação, envolvendo competências na área da Ciência da Informação (desde os seus fundamentos, marketing e comunicação até à avaliação de desempenho e ao Direito e Ética da Informação) e na área da Gestão de Informação (Sistemas de informação, análise de Social media e análise de dados e marketing digital) de que resulta um novo modelo de atuação habilitado a adquirir, organizar, recuperar e preservar e auditar informação em vários contextos e organizações. Este perfil profissional enquadra-se na previsão do último relatório da NESTA (2017) sobre o futuro das profissões até 2030, apresentando evidências de crescimento, a nível internacional e nacional, dada a necessidade crescente de informação credível, validada e auditada.

Esta necessidade pode ser ilustrada com o caso da figura de Encarregado de proteção de dados (EPD), debatida no segundo painel do seminário dedicado ao Regulamento Geral de Proteção de Dados (RGPD). Foi consensual entre os participantes, que a obrigatoriedade de existir um EPD nas organizações a partir de 25 de maio de 2018, vai ser um desafio. A utilização de outsourcing ou a contratação de elementos externos à organização poderá não ser suficiente. Este novo papel aportado pelo RGPD exige uma execução pronta e um vasto conhecimento dos sistemas de informação organizacionais. A importância de um membro da organização com competências de gestão e curadoria de informação ficou bem demonstrada pela aplicação dos Princípios subjacentes ao art. 5º do RGPD, de que se realçou no âmbito dos dados pessoais que a:

  • Recolha – deve ter finalidades determinadas, explícitas, legítimas;
  • Tratamento – deve ser adequado, pertinente e limitado;
  • Conservação – deve ser limitada às finalidades (necessário definição de prazos);
    Segurança e acessibilidade – deve ser garantida a proteção contra tratamento não autorizado ou ilícito, perda e destruição ou danificação acidental.

Foi igualmente debatida a mais-valia da integração de perfis e competências interdisciplinares, na prossecução de boas práticas de proteção de dados, que assegurem na adoção das medidas técnicas ou organizativas adequadas estão cobertas as distintas perspetivas sobre a informação, nomeadamente a dimensão jurídica, a segurança, gestão e curadoria da informação.

Sobre o Autor

Deixe um Comentário




Pretende associar uma imagem ao seu comentário, crie uma em Gravatar.