Seminário ” Literacia da informação em contexto universitário II: contributos para a ciência aberta”

No passado dia 16 de maio de 2018, entre as 14h e as 17h, decorreu mais um Seminário promovido pela BAD, destinado aos profissionais da informação, desta vez promovido pelo Grupo de Trabalho das Bibliotecas do Ensino Superior.

Os oradores – Carlos Lopes, Maria da Luz Antunes e Tatiana Sanches – propuseram-se desenvolver o tema da Literacia da Informação no contexto da Ciência Aberta. A intenção deste seminário, que contou com cerca de duas dezenas e meia de participantes – em presença e online – era a de colocar este tema em discussão pública.

A partir do contexto atual, onde emerge um novo modelo para encarar a literacia da informação, foram explicadas as implicações desta no movimento da Ciência Aberta.

No primeiro bloco, sobre Literacia da Informação, abordaram-se novos conceitos e um novo enquadramento normativo. Em 2016, a Association of College and Research Libraries adotou a Framework for Information Literacy for Higher Education. Nela, a literacia da informação assume um padrão de competências integradas que contemplam a descoberta reflexiva da informação, a compreensão de como a informação é produzida e valorizada e o uso da informação na criação ética e legal de novo conhecimento. Que desafios e implicações práticas têm a nova Framework para a Ciência Aberta no ensino superior? Desenvolveu-se uma reflexão, evidenciando a tónica dinamizadora da nova Framework. Esta apresenta um conjunto de conceitos básicos interconectados, de implementação flexível. Desenvolve-se em torno de molduras conceptuais (frames), que integram metas e conceitos que os estudantes devem alcançar e ultrapassar de modo a garantir o desenvolvimento de conhecimentos genuínos numa disciplina, profissão ou domínio do conhecimento. As frames são: a Autoridade, que se constrói e é contextual; a Criação de Informação como um processo; a Informação como valor; a Investigação como processo interativo; a Comunicação Académica como plataforma de diálogo; e a Pesquisa como exploração estratégica. Cada uma destas frames inclui uma secção de prática do conhecimento, usada para demonstrar como o domínio do conceito conduz à sua aplicação em novas situações e à criação de mais conhecimento; inclui também um conjunto de disposições que trabalham o saber-estar em processos de aprendizagem. A Framework sugere a integração da Literacia da Informação na Ciência Aberta, enfatizando o conhecimento sobre a aquisição de competências.

Na segunda parte do seminário falou-se precisamente de Ciência Aberta, do seu conceito, benefícios e implicações. A Ciência Aberta constitui um novo e importante tópico no seio das universidades e das bibliotecas de ensino superior, na medida em que está associada a temáticas como o acesso aberto aos resultados científicos, aos dados abertos, à ciência cidadã e aos sistemas abertos pelos pares. Na Ciência Aberta, o conhecimento é concebido como um bem público, pertença de todos e para todos, seguindo os pressupostos de tornar a investigação e os seus dados acessíveis a toda a sociedade; o seu conceito abrange a definição de ciência, descrita como a recuperação, análise, publicação, crítica e reutilização dos dados.

A terceira parte deste seminário teve como objetivo refletir sobre quais as competências a desenvolver, particularmente no âmbito da Literacia da Informação, no ensino superior e no contexto da Ciência Aberta. Para tal, foi explanado o apoio das bibliotecas em todo o ciclo da informação: da pesquisa à publicação, da divulgação ao impacto científico. O objetivo passou por elencar alguns exemplos de ferramentas e a informação que podem ser transmitidas aos docentes e investigadores, evidenciando os benefícios da Ciência Aberta, a par e como resposta às competências requeridas para os investigadores. A ideia é tornar acessíveis estes conceitos, contribuindo para o desenvolvimento de profissionais autónomos, reflexivos e críticos no seu quotidiano, no que toca à Ciência Aberta. Estas são aprendizagens essenciais para os participantes deste movimento, potenciando o progresso da investigação e a sua difusão em larga escala.

Finalmente, na última parte do seminário foi abordada a importância de desenvolver investigação em Literacia da Informação, apontando exemplos e sublinhando algumas evidências da experiência dos oradores, particularmente a que tem sido prosseguida no âmbito de um grupo de investigação dedicado a estes temas e sedeado no ISPA – Instituto Universitário, do qual os oradores fazem parte.

Autores: Carlos Lopes, Maria da Luz Antunes e Tatiana Sanches (Grupo de Trabalho das Bibliotecas do Ensino Superior)

Sobre o Autor

editorial@bad.pt

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