Discurso de despedida de Glòria Pérez-Salmerón, presidenta de la IFLA

Caros colegas, o meu tempo como presidente chega hoje ao fim, dia 29 de Agosto de 2019. Este é o momento de agradecer. Obrigado a todos os que estiveram disponíveis para participar nesta conversa, disponíveis para construir este diálogo, disponíveis para conduzi-lo. Na essência, a IFLA é uma conversa global sobre como melhorar as bibliotecas e a vida dos seus utilizadores na satisfação das suas necessidades de informação.

Glòria Pérez-Salmerón

Penso agora no muito que tenho para vos dizer neste discurso de despedida. Mas a minha declaração, o que resume a minha mensagem como presidenta da IFLA é: a IFLA está convosco, com todos os que estão sentados nesta sala e com todos os bibliotecários do mundo, com a comunidade global de bibliotecários.

Ser presidente da IFLA é um grande privilégio. Estou segura, que os nossos ex-presidentes, sentados aqui na primeira fila, estão de acordo comigo. É uma honra e um privilégio. É um privilégio poder reunir-me com tantos membros do sector bibliotecário global, de poder conhecer o vosso trabalho, de poder falar convosco sobre o presente e o futuro das bibliotecas. Saber o que é importante para vocês, saber o que necessitam. No fundo, saber o que significa ser bibliotecário.

Quais são os valores que compartilhamos? Igualdade, liberdade, justiça, paz e progresso. Estes valores sobre os quais se baseia o diálogo e a democracia. Posso confirmar isso. Todas as conversas que tive, nos exemplos que vi, observei isso. Além dos valores que compartilhamos existe também um sentido compartilhado da nossa missão. O desejo de defender não somente o que alcançamos, mas também de ir mais além e fazer mais. Não somos apenas uma comunidade global, somos um movimento global. O meu lema como presidente da IFLA é “Bibliotecas: motores de mudança”. Já sabem disso. Com este lema, queria compartilhar a minha crença, a minha convicção de que as bibliotecas podem ser um “igualizador”, um “habilitador”, um catalizador; uma força para criar um mundo melhor. A minha experiência demostra que não estou sozinha nesta minha convicção. Não há falta de dedicação. Não há falta de inspiração. Não faltam ações para fazer desta convicção realidade.

“Motores de mudança” – é o que eu digo, mas vocês fazem-no possível. Existem milhões de bibliotecários impulsando o progresso. As bases deste movimento estão criadas, mas não podemos ficar por aqui. Necessitamos seguir em frente. Manter o impulso inicial e criar movimento. Para consegui-lo, não devemos apenas pensar no mundo que nos rodeia e que queremos mudar. Devemos olhar para nós mesmo, para a nossa mentalidade. Mas como pensar sobre o que estamos a fazer? Como explorar novas oportunidades? Como trabalhar juntos?

Não somos uma empresa, mas devemos ser empreendedores, procurar sempre a oportunidade de fazer mais e melhor. Devemos dar as boas-vindas às novidades, ao mesmo tempo que protegemos aquilo que alcançámos. Necessitamos ser conscientes do que nos faz especiais, mas sem nunca esquecer que somos parte da nossa comunidade, da sociedade a que servimos. Aproveitar a experiência global e a inspiração para criar um impacto local. Para melhorar, devemos ter em conta tanto a forma como fazemos o nosso trabalho, como a nossa capacidade para criar alianças com outros.

Nos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável das Nações Unidas, estão as bases para fazê-lo.  Um chamado dos Estados membros das Nações Unidas, que engloba todas as áreas de acção dos governos, desde a pobreza às alianças mundiais, passando pela agricultura, a educação, o trabalho, a inovação ou governação. Metas, indicadores e avaliação, uma excelente oportunidade para organizar o nosso próprio pensamento, as nossas ações e de dar-lhes visibilidade. Tudo isto, com a aprovação e o compromisso dos governos. De forma crucial, os ODS também visualizam a necessidade de apostar em novas formas de pensar e actuar. Não só os governos devem ser mais efetivos para alcançar ditos objetivos, mas também nós devemos sê-lo. Nós, os bibliotecários, devemos fazer com que isso aconteça. Esta é a nossa Visão Global e é uma mensagem que destaco como presidente da IFLA. Muitos dos desafios que enfrentamos, tanto os que tem uma dimensão planetária (aquecimento global, epidemias, contaminação) como aqueles que parecem ser locais, repetem-se em diferentes comunidades um pouco por todo o mundo. Estes desafios, requerem uma resposta positiva, efetiva e comprometida, desde o sistema bibliotecário. Assim, necessitamos ver as relações que existem entre os diferentes problemas e centralizar os esforços e comprometer-nos a não deixar ninguém para trás. Necessitamos assumir o compromisso no acesso à informação, que atraiu tantos de nós a esta profissão, e convencer quem está no poder.

Não é fácil. Todos temos as nossas especificidades, o nosso tipo de bibliotecas, as nossas prioridades, os nossos costumes, diferentes línguas, fusos horários. As estruturas e as práticas actuais podem ser um obstáculo. Mas é necessário fazer algo. Com confiança e optimismo, podemos consegui-lo.

Já o disse. É um privilégio ter tido a oportunidade de dirigir a IFLA, juntamente com os membros doGoverno e o Secretário Geral da IFLA.

A transformação da IFLA, uma transformação real, centrada no futuro, necessita um líder forte. Obrigado Gerald, estás a tornar isto possível e agradecemos-te todos. Tenho boas lembranças desta viagem. Estou feliz de ter sido uma “líder do movimento”, incentivando os bibliotecários a intensificar os seus esforços no diálogo com aqueles que tomam decisões para que sejam conscientes que ao proporcionar um acesso significativo à informação para todos, as bibliotecas são motores de mudança social.

Foi um papel fácil para mim, porque estou absolutamente convencida de que podemos mudar a vida de milhões de pessoas. Contribuir na discussão de como as bibliotecas, devidamente organizadas e habilitadas, podem fazem a diferença. Não só podemos adaptarmo-nos, mas também estar um passo à frente das novas tendências. Podemos construir redes fortes de bibliotecas e relações fortes com os que tomam decisões e os governos.  Como podemos ocupar o nosso lugar no centro das políticas e estratégias para alcançar os ODS? Como podemos definir e realizar a Visão Global da IFLA? Tive a honra de estar como presidente nas duas reuniões gerais da IFLA, em Barcelona e Buenos Aires, onde pude aprofundar essas ideias e escutar as perspectivas dos peritos de todo o mundo sobre as bibliotecas e o seu papel agora e no futuro. Compartilhar com muitas pessoas e propôr ideias para promover o nosso trabalho na construção de um sector bibliotecário global e cumprir a Visão Global da IFLA.

Nos meus discursos, quando tive de falar sobre a transformação da IFLA, descrevi-a como uma idosa cheia de sabedoria, com fortes convicções, mas que necessitada de ajuda para conseguir caminhar sozinha. Esta imagem, ajudou-me a explicar aos nossos colegas que a IFLA necessitava transformar-se. Pegar na nossa sabedoria, nos nossos valores e conhecer o nosso potencial, para poder caminhar sozinha e ainda mais, ajudar ao sector bibliotecário em geral a caminhar com força, erguido e orgulhoso. A nossa nova estratégia, que espero que vos tenha inspirado, comprometido e conectado a todos, é a nossa forma de fazer com que isso aconteça. Posso dizer que a IFLA está mais viva que nunca. A IFLA agora é mais capaz de:

  • Unir o sector bibliotecário e ajudá-lo a enfrentar os desafios da globalização e transformá-los em oportunidades para servir os nossos utilizadores.
  • Satisfazer as necessidades dos utilizadores e trabalhar a favor do acesso à informação como um requisito essencial no desenvolvimento pessoal e social.
  • Definir os passos (claros, inovadores e efetivos que devemos dar, tanto nós como os nossos sócios) para alcançar a Visão Global.
  • Mostrar, definitivamente, que as bibliotecas são um investimento e não um gasto.

O sector bibliotecário é maravilhoso, vós sois maravilhosos. Somente posso esperar tê-los servido a vocês e à IFLA como merecem. Foi um período intenso, mas também o momento mais importante, maravilhoso e inspirador da minha carreira profissional. Aprendi muito e ainda estou a aprender convosco, meus caros colegas. Todos os dias aprendo convosco. Nas minhas conversas com bibliotecários e associações, gestores e sócios, vi quanto a IFLA pode fazer por todos eles e como a Visão Global da IFLA é apenas o ponto de partida para criar um movimento global.

Uma vez mais, quero agradecer ao meu empregador, a “Diputación de Barcelona”, pelo seu total apoio durante este meu tempo na IFLA e por facilitar-me o tempo que necessitava para desenvolver este meu trabalho.  Qualquer pessoa que me tenha escutado falar de Barcelona, sabe que sou uma grande embaixadora da minha cidade natal. Obrigado também à FESABID, a Federação Espanhola de Associações de Arquivistas, Bibliotecários, Especialistas da Informação e Museólogos da qual fui presidente duas vezes. Esta experiência proporcionou-me uma excelente formação para o meu trabalho na IFLA. Obrigado à minha grande família, que cresceu com 3 novos membros nos últimos 3 anos; à minha mãe pela sua ajuda e paciência infinita. Obrigado à directora do programa de Bibliotecas Globais da Fundação Bill e Melinda Gates, Deborah Jacobs, à ex-presidente Donna Scheeder e ao Secretário Geral da IFLA Gerald Leitner, meus companheiros de viagem neste caminho futuro da IFLA. Aprendi muito com vocês os três.

Obrigado também as antigas mães da IFLA, Claudia Lux; Ellen Tise; Ingrid Parent; Sinikka Sipilä e Donna Scheeder.

Obrigado aos meus colegas da Assembleia de Governo. Fico muito contente que muitos de vós tenham um segundo mandato, apoiando a Christine enquanto ela assume a presidência. Desejo o melhor a todos, tantos os que ficam como os que saem.

Finalmente, agradeço a todos vocês, a minha equipa da IFLA a vossa experiência e compromisso. São incríveis. Obrigado.

Obrigado aos nossos colegas gregos, ao Comité Nacional, a todos os bibliotecários gregos por fazer possível esta conferência. Obrigado aos nossos voluntários, vocês são geniais.

Gostava de acabar o meu discurso, com as sábias palavras de Pompeu Fabra, um destacado engenheiro catalão que vivia muito perto da minha casa de Badalona (cidade da Catalunha), onde trabalho intensamente a favor da língua e gramática catalã.

Cal no abandonar mai ni la tasca ni l’esperança” (Nunca devemos abandonar o nosso objetivo nem a nossa esperança).

Sigamos o seu conselho e trabalhemos juntos para continuar a nossa importante tarefa de entregar o melhor de nós, ao nosso futuro. Os motores estão acesos, começamos uma mudança social. Agora devemos criar um movimento global para alcançar um acesso significativo à informação para todos.

Desejo a Christine, minha sucessora, todo de melhor. Até já! Muito obrigado a todos.

 

Tradução de João de Sousa Guerreiro e David Gonçalves, bibliotecarios e administradores do blog BIBLIOTECAS SÃO COMUNIDADES, criado por Daniel Gonçalves https://bibliotecassaocomunidades.wordpress.com/

Original: https://www.youtube.com/watch?time_continue=3548&v=ukx6PNxBlqI

Sobre o Autor

José Correia