As Bibliotecas Escolares em tempo de pandemia.

O trabalho realizado pelas Bibliotecas Escolares nestes tempos de pandemia e de confinamento total ou parcial, tem sido pautado pela tentativa de, após terem sido redefinidas linhas de atuação que as adaptassem aos constrangimentos existentes, estas integrassem o plano de ensino (também na modalidade a distância) das escolas onde se inserem, ajustando a sua ação de modo a continuarem a responder às necessidades dos seus utilizadores.

Deste modo, no início do presente ano letivo foram definidas, pela tutela, um conjunto de prioridades nacionais que deveriam nortear a ação das bibliotecas, a saber:

  • Currículo e aprendizagens essenciais: Trabalhar de forma colaborativa com os docentes, implementando atividades que contribuam para garantir as diferentes dimensões da aprendizagem, com vista ao desenvolvimento das competências previstas no Perfil dos alunos;
  • Informação e media: Desenhar e implementar programas para capacitar os alunos para lidar com a informação (encontrar/ validar/ selecionar/ usar), respeitando os direitos de autor.
  • Consolidação: Procurar contribuir para a recuperação e consolidação das aprendizagens não realizadas;
  • Leitura: Dar continuidade a iniciativas e programas, em presença e a distância, orientados para o desenvolvimento das competências de leitura e de escrita, nas suas múltiplas dimensões.
  • Cultura: Procurar promover a valorização do património (local e global) e constituir-se como agente transformador, capaz de desenvolver o gosto por diferentes manifestações culturais e criativas;
  • Serviço de referência: Apoiar a comunidade educativa, no acesso eficaz aos recursos (físicos e digitais).
  • Presença em linha Aperfeiçoar uma presença em linha estruturada, atualizada e sistemática, associada a uma prestação de serviços complementar à biblioteca física.
  • Curadoria Aperfeiçoar procedimentos de tratamento e gestão documental, complementando a biblioteca física com uma coleção de recursos digitais relevante, fiável e ajustada,

A assunção destas prioridades e de outras específicas, bem como o cumprimento das normas emanadas pela DGS implicou uma reorganização do espaço físico das bibliotecas escolares, a definição de novos horários de funcionamento, prevendo tempo para a sua higienização e a prestação de novos serviços em linha, procurando-se, deste modo, assegurar que as bibliotecas escolares se mantivessem em funcionamento pleno na sua vertente física e digital.

A meio do ano letivo pode-se constatar que as bibliotecas escolares se encontram a realizar um trabalho de inestimável valor, mantendo-se abertas, muitas na sua vertente física e a grande maioria delas, também, na sua vertente digital, prestam antigos e novos serviços diversos, como o atendimento por HelpDesk, prestam serviços em linha, possibilitando que alunos e docentes nelas encontrem resposta às suas necessidades curriculares, informativas e de lazer. Realizam formação de utilizadores e promovem ainda a literacia da informação e dos media (pensamento crítico, resolução de problemas,…), tão necessária num tempo em que o acesso à internet é tão generalizado e se acede a informação não validada, contribuem para a formação de leitores através do empréstimo domiciliário e outras atividades de promoção e animação da leitura, tão importante, num tempo em que as desigualdades se aceleraram.

Poderemos elencar ainda toda uma outra panóplia de atividades que têm sido levadas a cabo, numa lógica colaborativa, entre professores bibliotecários e docentes: a formação de docentes para o uso das áreas tecnológicas: Plataformas, ferramentas digitais e de trabalho colaborativo, elaboração de tutoriais de ferramentas web, avaliação de recursos educativos digitais, as práticas do Ensino a Distância, o apoio sistemático aos docentes na curadoria de conteúdos, as situações de coensino, …

Em síntese, este tem sido um tempo de reinvenção das bibliotecas escolares e oportunidade para que estas prestem novos serviços adequados às necessidades dos utilizadores que as continuam a procurar.

O Grupo de Trabalho de Bibliotecas Escolares da BAD

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