A Profissão em frente do espelho! 2ª parte

 

No mês passado, deu-se conhecimento da jornada que decorreu a 11 de maio de 2021, em formato online, “La Profesión frente al espejo”, organizada pela Sociedad Española de Documentación en Información Científica (SEDIC), em colaboração com o Departamento de Biblioteconomía y Documentación de la Universidad Complutense de Madrid.
Pode ser lida aqui!

Esta jornada, que refletiu sobre a profissão e o seu valor na comunidade, teve uma segunda sessão que se passa a relatar.

O bibliotecário da Universidade Complutense de Madrid, José Antonio Magán Wals, fez um relato da história da denominação profissional e sua relação com os perfis profissionais tradicionais, relembrando que sempre existiram livros e documentação, em todas as épocas, mas nem sempre com a presença de bibliotecários, exceto nas sociedades mais prósperas e avançadas.

Na atualidade, há reconhecimento, por parte da sociedade, do valor profissional e social dos profissionais de informação e documentação, com impacto social relevante nas comunidades. Há, também, uma tendência na profissão que indicia que é necessário conviver com novos perfis profissionais, porque a realidade revela que as tarefas técnicas estão cada vez mais centralizadas nas empresas; há uma necessidade de integrar novos temas na ética profissional, como a missão de orientação, em tempos de pós-verdade, sobre as notícias falsas e a censura de informação; a questão da diminuição de compra de monografias em papel pelas bibliotecas, aumentando a aquisição de informação eletrónica; o incremento da digitalização de fundos antigos pelo Google, por exemplo na Universidad Complutense de Madrid; o desaparecimento de pequenas bibliotecas em favor da construção de grandes espaços e de coleções/aumento do número de utilizadores; o surgimento de instituições do ensino superior sem espaços dedicados às bibliotecas, etc.

Que perfis profissionais, na área da Informação, escasseiam, perante este quadro social? Constata-se a falta de perfis nas áreas dos metadados e normalização, no desenvolvimento e preservação de coleções digitais, no tratamento de fundos antigos, em bibliometria, na gestão da edição científica. Há necessidade de enriquecer os perfis dos profissionais da informação e documentação com as ferramentas e os conhecimentos de outras áreas, como do data mining, da gestão de comunidades virtuais, dos direitos de autor, etc.

José Antonio Magán alertou para a necessidade dos profissionais se focarem na sua função primordial, que não é fornecer informação, mas sim fornecer aquela informação que permita o desenvolvimento humano para formar pessoas livres e comprometidas.

Este é o perfil profissional que se espera do Profissional da Informação e Documentação do século XXI.

Vários professores de universidades castelhanas, que lecionam em cursos de Informação e a Documentação ou outros relacionados, intervieram nesta jornada, demonstrando as suas preocupações com o surgimento de novos perfis profissionais e a necessidade das universidades incorporarem nos seus currículos novas matérias e conteúdos. Esta sessão será relatada no mês de setembro.

A gravação da sessão completa pode ser vista aqui

Luísa Alvim, Vogal da Profissão do Conselho Nacional da BAD

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