Participar ativamente em redes de cooperação institucional e parcerias sociais

Protagonizar a criação e dinamização de redes de cooperação e potenciar parcerias sociais (museus, escolas, centros culturais, associações, arquivos, mecenas e outros), nomeadamente em programas e projetos intrainstitucionais, locais e nacionais ou internacionais, de caráter transversal e inclusivo, para a promoção e divulgação do conhecimento e a aproximação das Bibliotecas do Ensino Superior à sociedade.

As recomendações para as Bibliotecas de Ensino Superior (BES) para o triénio 2020-2022 1, propõem quatro eixos de intervenção prioritários para desenvolver estratégias futuras de desenvolvimento e novas linhas de atuação. No eixo “Redes, Cultura e Património”, a participação em redes de cooperação e as parcerias sociais, visam potenciar a interação das Bibliotecas de Ensino Superior com a comunidade criando uma maior envolvência e proximidade, benéfica para o desenvolvimento de projetos transversais comuns e para a participação em programas locais, nacionais e internacionais e na dinamização de novos projetos.

As bibliotecas universitárias ao serem protagonistas e dinamizadoras de redes transversais de cooperação entre escolas, organizações, associações culturais e empresas são pólos agregadores de conhecimento intergrupal, funcionando como pontes para a constituição de novas parcerias.

Este conceito, remete-nos indubitavelmente para a questão do que se entende atualmente que deve ser a missão da biblioteca universitária. Um repositório do conhecimento ou um laboratório criador de novo conhecimento?

A resposta mais óbvia é que a utilização das Bibliotecas Universitárias atualmente não se limita apenas ao uso de coleções físicas e digitais.

Cada vez mais estas Bibliotecas, devem procurar acompanhar os seus utilizadores (sobretudo os alunos) na sua adequação ao mercado de trabalho que os espera à saída da universidade e a uma inserção numa sociedade ainda desconhecida para estes jovens ávidos de novas conexões e de ideias criativas, onde a Biblioteca pode oferecer novos espaços de interação, recursos e também estabelecer novas colaborações com a sociedade e as empresas em projetos transversais.

Pichman (s.d.) 2 no seu texto “Libraries as start-ups” refere que,

 “Libraries should be about making connections within its community to that patron along with utilizing the libraries online databases/physical collection. From here, if a library can help just one patron completely build a start-up company and help them find funding through grants, crowd-source funding, or investment; they have not only helped that patron succeed in achieving something remarkable, but have served the community as a whole. They’ve also made a useful alliance, strengthening ties that could prove beneficial in the future. To recap, libraries are about engagement and collaboration.”

A inclusão de todos os cidadãos no acesso e na partilha da ciência e do conhecimento, deve ser também uma preocupação constante das bibliotecas universitárias 3 para que em linha com o Objetivo de Desenvolvimento Sustentável 2030 (ODS 10), todos os cidadãos possam viver uma vida em igualdade de oportunidades, na educação e na aprendizagem. A colaboração em programas inclusivos que as bibliotecas podem oferecer a nível cultural, educacional e tecnológico a estes cidadãos com necessidades especiais poderão ser verdadeiramente transformativos para a sua vida, mas também o retorno para a sociedade em geral do que estes cidadãos poderão oferecer é inimaginável.

A colaboração das Bibliotecas Universitárias em redes de divulgação da cultura e património com museus, associações artísticas, arquivos e outros organismos culturais é fundamental para aproximar o cidadão da cultura, das artes e da ciência e interiorizar o património como seu. O enfoque  no conceito de ciência cidadã, 4 em que este experiencia e vivencia o processo de investigação tomando-o como seu, participando no processo em conjunto com as equipas de investigação, é uma abordagem em que as bibliotecas universitárias devem também participar, adaptando os seus espaços, para que os seus utilizadores possam interagir com os investigadores em projetos comuns, que os interpelem e que os levem a refletir sobre a ciência, a cultura e o património.

Finalmente,  não menos importante e atual, para a concretização de projetos e programas arrojados e ambiciosos, espaços inovadores, conteúdos tecnológicos de alto nível, é necessário recorrer a financiamento e potenciar as parcerias com mecenas e financiadores 5, 6 que tenham a visão de investir nestas bibliotecas universitárias do terceiro milénio, capazes de corresponder e de se adaptar á formação de novos utilizadores, que saem das universidades mais bem preparados e capazes de interagir com uma sociedade em rede, colaborativa e competitiva e entram pela primeira vez no mundo real, mais confiantes e sabendo que estão bem preparados e só então a missão das Bibliotecas universitárias estará cumprida. Deste processo, beneficiam todos. Utilizadores, Bibliotecas e a Sociedade em geral. Todos comprometidos e cúmplices num mesmo universo colaborativo em rede.

Paula Sousa Saraiva

Referências:

  1. Princípe P, et al. (2020). Recomendações para as Bibliotecas do Ensino Superior de Portugal 2020 -2022 (Version 1). Zenodo. https://doi.org/10.5281/zenodo.3841363
  2. Pichman B, (s.d.). Libraries as start-ups. Strategic Innovation Evolve Project (US). https://www.culturehive.co.uk/wp-content/uploads/2014/01/Libraries-as-start-ups.pdf
  3. Neto L, (2013). O papel social da Biblioteca Universitária na inclusão do indivíduo portador de deficiência visual [Dissertação de Mestrado em Ciências da Informação e da Documentação – Biblioteconomia]. Lisboa: Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa. http://hdl.handle.net/10362/10849
  4. League of European Research Universities (2016). Citizen science at universities: trends, guidelines and recommendations [Advice paper] 20 (Oct). LERU: Leuven. https://www.leru.org/files/Citizen-Science-at-Universities-Trends-Guidelines-and-Recommendations-Full-paper.pdf
  5. Riley-Huff, D.A., Herrera, K., Ivey, S. and Harry, T. (2016). Crowdfunding in libraries, archives and museums. The Bottom Line. 29 (2): 67-85. https://doi.org/10.1108/BL-03-2016-0014
  6. Bushong S, Cleveland S, Cox C. (2018). Crowdfunding for Academic Libraries: Indiana Jones Meets Polka. The Journal of Academic Librarianship [Internet]. Mar 1; 44 (2): 313–8. https://www.sciencedirect.com/science/article/pii/S0099133318300016#!

 

 

 

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