O novo paradigma da arquivística : um estudo de caso

Maria Manuela Gomes de Azevedo Pinto

Resumo


Da publicação do manual dos Holandeses, em 1898, até à actualidade assistimos, por um lado à consolidação dos princípios paradigmáticos da Arquivística (o “princípio da proveniência” e o da “ordem original”) e, por outro, à crise provocada pela vaga incorporacionista que, associada à evolução tecnológica, ao fenómeno da “explosão documental”, à afirmação do conceito de informação, aos novos enquadramentos gerados pela "Sociedade da Informação", geraram rupturas quer ao nível dos depósitos quer ao nível dos conceitos. Aparecem, assim, estruturas artificiais como o “arquivo intermédio”, teorias como a das “três idades” do documento, conceitos como o de “valor primário” e “valor secundário” do documento, “records management” e “pré-arquivo”, contrapostos ao de “archival administration” e “arquivo” (histórico). Da sua aplicação, resultaram rupturas antinaturais nos arquivos, com o acentuar da vertente tecnicista de uma disciplina que, ainda no início do séc. XX, se havia autonomizado e libertado do estatuto de "ciência auxiliar" da história. Encontramo-nos, assim, num novo ponto de viragem em que procuramos afirmar a Arquivística como uma Ciência da Informação, cujo objecto, a informação social, tem características e atributos, passíveis de cognoscibilidade, com recurso a uma metodologia que procura cada vez menos estabelecer e impor regras operativas e cada vez mais compreender, interpretar e explicar o fenómeno e o processo informacional, para depois apresentar as soluções mais adequadas. Partindo de uma fundamentação epistemológica e de novos conceitos operatórios, realizamos o estudo de um caso, "O sistema de informação/arquivo da Câmara Municipal de Vila do Conde", um estudo entre os muitos que, de forma científica, validarão/refutarão os princípios/leis do novo paradigma científico-informacional da arquivística, e que, considerando o arquivo na sua dimensão sistémica inclui, para além dos procedimentos técnicos, a estrutura e os agentes que geram, manipulam e controlam a informação, assumindo o arquivista o papel de sujeito agente/observador.

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